É necessário trazer a inovação para o topo das prioridades das empresas - Daniel Bessa esteve na Startup Santarém a explicar como se faz a gestão de inovação nas PME - NERSANT

É necessário trazer a inovação para o topo das prioridades das empresas

Daniel Bessa esteve na Startup Santarém a explicar como se faz a gestão de inovação nas PME

O economista Daniel Bessa esteve na Startup Santarém no dia 6 de junho, a convite da NERSANT - Associação Empresarial da Região de Santarém, para partilhar a sua experiência de largos anos a liderar projetos de inovação nas PME. Na sessão, realizada ao abrigo do projeto financiado Ribatejo InovFin, o também ex-ministro da economia despertou os empresários presentes para a necessidade urgente de apostar nesta área.

“Embora seja um conceito que voltou a estar na moda, a inovação é de sempre. Não há vida sem adaptação. Isto é o conceito mais elementar da biologia. Sobrevive quem se adaptar melhor”, começou por dizer Daniel Bessa, perante os cerca de 40 empresários que se deslocaram à Startup Santarém para o ouvir falar sobre gestão da inovação das PME.

“Agora, o que impressiona é a aceleração que a vida teve. Sinto de forma avassaladora que há uma aceleração brutal na forma como as coisas funcionam. A inovação é, por isso, urgente. É necessário despertar as empresas para este tema. A inovação deve estar no topo da agenda das empresas”, continuou o profissional, que foi Diretor-Geral da Cotec - Associação Empresarial para a Inovação de 2009 a 2016.

Daniel Bessa continuou a sua intervenção deixando um primeiro conselho às empresas: “Não há gestão sem organigrama. Alguém tem de tratar da inovação. Naturalmente que no seio de muitas PME não faz sentido haver um departamento de inovação, mas é efetivamente necessário que alguém trate destes processos”, rematou, acrescentando logo de seguida que esse profissional poderá estar ligado a qualquer área. “Tudo depende dos objetivos de inovação definidos pela empresa. Se a empresa entender que inovação é ouvir o cliente e satisfazê-lo totalmente, faz sentido que seja a área comercial a assumir a inovação. Se a empresa entender que a rapidez na entrega de encomendas é a sua inovação, pode-se atribuir esta tarefa a alguém ligado ao chão de fábrica e aos processos fabris. Se a inovação passar pelos fornecedores, em ter os melhores equipamentos, pode ser atribuída a alguém ligado às compras, que analise os melhores meios, equipamentos, máquinas e materiais a adquirir. Se a inovação for vender para mercados que ninguém vende, talvez alguém ligado aos mercados externos seja a solução. Pode, ainda, ser alguém ligado ao digital – esta área tem de estar na frente da preocupação de qualquer empresa”, concluiu, acrescentando que a inovação pode estar em qualquer processo e não só a criação de soluções altamente tecnológicas, como tantas vezes é conotada.

Por fim, o ex-ministro da economia elencou algumas das responsabilidades que podem estar associadas a este profissional, como “saber exprimir muito bem o problema que a empresa pretende resolver, definir e conhecer muito bem os objetivos de inovação da empresa para que o seu relacionamento com as universidades e centros tecnológicos seja feito de forma eficaz”. Para além disso, o profissional pode criar “um sistema de gestão de ideias acessível a todos - muitas vezes as melhores ideias têm origem nos operários fabris” e até um “sistema de gestão do conhecimento, para que se garanta a partilha do mesmo entre todos”.

Para além da intervenção de Daniel Bessa, a sessão contou com o contributo da SPI, na pessoa de Susana Seabra, que falou sobre a implementação de processos de DNP (desenvolvimento de novos produtos) e DNS (desenvolvimento de novos serviços), com incidência na importância do desenvolvimento de novos produtos e serviços, das necessidades latentes dos clientes, geração de ideias, seleção de alternativas e características do produto/serviço. Na oratória, a profissional explicou que a criatividade não é um talento, mas sim uma competência que se pode aprender, dando posteriormente diversas ferramentas para o efeito.

Foram ainda apresentados casos de sucesso de empresas com boas práticas de implementação de processos de inovação, bem como uma mesa redonda de debate do tema, que foi também alargado à plateia.

De referir que o projeto Ribatejo InovFin é um projeto dinamizado pela NERSANT que conta com o financiamento do Compete 2020 no âmbito do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional. O programa visa a promoção da inovação como um instrumento fundamental para o aumento da competitividade das empresas, nomeadamente através da aproximação entre estas e as entidades do sistema nacional de inovação, da promoção de estruturas financeiras mais equilibradas e da melhoria das condições de acesso ao financiamento das PME.

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